
«CORPO: Todo o pensamento, toda a emoção, todo o interesse suscitados no sujeito apaixonado pelo corpo amado».
Proust: «Assalta-me, por vezes, uma ideia: ponho-me a examinar longamente o corpo amado (como o narrador diante do sono de Albertina). Examinar quer dizer revistar: revisto o corpo do outro, como se quisesse ver o que há lá dentro, como se a causa mecânica do meu desejo estivesse no corpo adverso (pareço-me com esses garotos que desmontam um despertador para saber o que é o tempo)...»
«Via tudo do seu rosto, do seu corpo, friamente: as pestanas, a unha do dedo do pé, a finura das sobrancelhas, dos lábios, os olhos, um determinado sinal, uma maneira de estender os dedos ao fumar; estava fascinado -- não sendo o fascínio, em suma, senão a extremidade do desprendimento -- por essa espécie de figura colorida, de faiança, vitrificada, onde podia ler, sem nada compreender, a causa do meu desejo.)» In:Texto: «FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO» BARTHES, Roland; Ed. Edições 70Imagem: «Mulher Sentada Com A Perna Esquerda Dobrada» 1917; SCHIELE