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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

«Metafísica»


Gentileza Google



«Que ideia tenho eu das coisas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?


Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma


e sobre a criação do Mundo?


Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

e não pensar. É correr as cortinas

da minha janela (mas ela não tem cortinas)...»


Alberto Caeiro

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

«A FACA NÃO CORTA O FOGO»


Gentileza Google


Não se pode cortar o fogo com uma faca.
-- provérbio grego.


«até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza»


In:
(Pg.133) de

«A FACA NÃO CORTA O FOGO»
Súmula & inédita


Herberto Helder

Assírio & Alvim

quarta-feira, 30 de julho de 2008

«EVA»


«Quando Eva andava nua pelo paraíso,
disfarçava o tédio à sombra das árvores, colhendo
as flores, cheirando o seu perfume,
e pensando como seria bom ter um céu
para espreitar.

Um dia, uma dessas flores transformou-se em
fruto; e Eva levou-o à boca, trincou-o, provou
a sua polpa. Por um estranho efeito
de causa e consequência, o sabor da maçã
obrigou Eva a cobrir a nudez
com folhas e flores, que passaram
a ser uma metáfora do corpo
que escondem.

Então, o pecado tornou-se uma simples
figura de retórica, e o sexo um exercício
de interpretação.»


Nuno Júdice

In:
«A matéria do poema»

DOM QUIXOTE


terça-feira, 17 de junho de 2008

«657»




«Habito na Possibilidade --

Uma Casa mais bela do que a Prosa --

Com mais Janelas --


E Portas -- maiores --



Salas como Cedros --


Que o olhar não alcança --


E como Tecto Imperecível


Os Limites do Céu --



Visitantes -- os mais belos --


Ocupação -- Esta --


Abrir ao máximo as minhas Mãos finas


Para colher o Paraíso -- »



In:

«POEMAS E CARTAS»
Emily Dickinson



______________________
Antologia organizada por
Nuno Vieira de Almeida
Tradução de
Nuno Júdice

Ed. Cotovia
____________
Ilustração:
Gentileza Google

sábado, 31 de maio de 2008

«Explicação do amor e do orvalho»


«Uma fogueira no meio da noite cercada
Por um homem com os olhos rasos de água»

In:

«POESIA»
Daniel Faria
Edições QUASI

sexta-feira, 23 de maio de 2008

«MÃO»



«Pôr a mão a escrever e ir dar uma volta,
ao frio
com a musa disponível...»

In:

«POESIAS COMPLETAS»

Alexandre O'Neill

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A minha casa

(Gentileza Google)

Não desejo recuar à ideia de casa como elemento fundamental da constituição de vida humana (Agradeço esse facto aos meus pais.) no momento em que o ser humano abandona o nomadismo (Impossível recuar tanto!).
Dando como adquiridos os conceitos de território, lugar, paisagem, a casa como propriedade garante o estabelecimento de relações entre indivíduos, entre grupos sociais.

Pratiquei a transumância e cansei-me.
Desfiz-me das várias casas e para evitar a tirania do «subprime» apenas conservo esta (Modestamente, considero-a exemplo de uma boa aplicação do Programa RECRIA; imune a qualquer POLIS).

A minha casa!

É acolhedora.
Nela, sinto-me feliz!

Para si,Vitrúvio(*), um abraço!
(*) (Sec I aC Princípios de arquitectura: utilidade, beleza e solidez)

terça-feira, 6 de maio de 2008

A Casa...

(António Botelho)

«Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi

talvez para sempre -- a casa e o cheiro dos livros,

a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,

camas desfeitas algures pela manhã,

o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o

(...)»

Fonte:

«A CASA E O CHEIRO DOS LIVROS»

Maria do Rosário Pedreira

Ed. GÓTICA


quarta-feira, 23 de abril de 2008

«O Anel de GYGES»



Um pastor chamado Gyges,
encontra por acaso uma caverna
onde jaz um cadáver que usa um anel.
Quando Gyges enfia o anel no próprio dedo,
descobre que ele o torna invisível.
Sem ninguém para monitorar o comportamento,
Gyges passa a praticar más acções
-- seduz a rainha, mata o rei, etc.
Questão moral:
Algum homem seria capaz de resistir à tentação do mal
se soubesse que os seus actos não seriam testemunhados?
(O Anel de Gyges, em «A República» de Platão)
...
«(...)
Se eu tivesse permanecido livre, desconhecido e isolado, segundo os desígnios da natureza, nada mais teria feito senão o bem, porque o meu coração não contém as sementes da paixão danosa. Se tivesse sido invisível e poderoso como Deus, teria sido bom e benéfico como Ele. É a força e a liberdade que tornam os homens bons; a fraqueza e a escravidão nunca produziram nada senão malfeitores. Se eu tivesse possuído o anel de Gyges, ele ter-me-ia concedido a independência face aos outros homens e tornado os outros homens dependentes de mim. Muitas vezes me perguntei, quando construo castelos no ar, como teria usado esse anel, porque, nessas circunstâncias, o poder deve ser seguido de perto pela tentação de abusar dele. Capaz de satisfazer os meus desejos, de fazer tudo sem ser enganado por ninguém, o que poderia eu ter desejado de uma forma consistente? Somente uma coisa: ver todos os corações satisfeitos; a visão da felicidade geral é a única coisa que me poderia ter concedido uma satisfação duradoura, e o desejo ardente de contribuir para ela seria a minha mais constante paixão.»
(Pg. 234)
...
Fonte:
«A Filosofia Segundo Woody Allen»
Conard, Mark T. e Skoble, Aeon J.
Ed. estrelapolar

quinta-feira, 17 de abril de 2008

«Em Busca de Um Brinco Perdido...»

«Tens a certeza que foi aqui que brinco caíu?»
«Já te disse que sim!!!»

(«...Na sua introdução à Vida Devota (1608),
cuja tradução foi publicada na Holanda em 1616,
o místico S. Francisco de Sales (1567-1622)
escreveu:

«Tanto no passado como no presente,
foi e é costume as mulheres pendurarem
pérolas nas orelhas,
pelo prazer que sentem,
como Plíno observou,
por elas lhes tocarem ao balançar.
...
...Isaac, enviou brincos a Rebeca
como primeiro sinal do seu amor
...»)

Fonte: «VERMEER» Schneider, Norbert; Ed. Tachen
«A Menina do Brinco de Pérola»

sábado, 29 de março de 2008

VIAGEM

(Gentileza Google)

«Abraço o teu corpo no oceano

da noite; e um barco emerge do teu sexo,

com o seu mastro de fogo,

inundando o teu rosto com a luz

branca do desejo.»

In:

«GEOMETRIA VARIÁVEL»

Nuno Júdice

Dom Quixote