terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

12 de Fevereiro 1809 - 2009


1.

Há três Homens que marcaram o nosso tempo, desde o Sec. XIX:

K. Marx
S. Freud
CHARLES DARWIN


2.

Algum tempo atrás, numa fila, o jovem à minha frente tinha uma enorme iguana (Lagarto grande, para sermos correctos) sobre o ombro. «É macho ou fémea?» Não sabia. Pensei: Este jovem está tão feliz por ter recebido a iguana -- Prenda ou prémio de desempenho. -- que nem lhe ocorreu saber o género do animal.
Seria bom que lhe falassem do Beagle, de Darwin, da viagem que fez até ao Novo Mundo, para que se interessasse pelas Galápagos e, in loco, registasse a vida das iguanas, o que lhe apetecesse.
É que muitas das figuras de estilo utilizadas tanto por K. Marx -- «CAPITAL» -- quanto por S. Freud -- «PSICOPATOLOGIAS DA VIDA QUOTIDIANA» -- abordam um certo "rastejar", impróprio da condição social e psicológica das pessoas, susceptível de relacionar com os iguanídeos.


3.

«A ORIGEM DAS ESPÉCIES»
(1859) é a masterpiece de Charles Darwin
Incontornável.

«A selecção natural é o factor essencial na evolução, por triar a hereditariedade; assegurar a sobrevivência dos melhor adaptados.»

É claro que indissociável do Darwinismo coexistem posicionamentos ideológicos, filosóficos, psicológicos e morais.
Para todos eles aconselho a leitura dos comentários de A. Guerreiro em «ACTUAL» na edição do Expresso de 07 fevereiro de 2009.

Foto: Gentileza Google


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

«Vogando...»



O que haverá de comum entre a Branca de Neve e eu é a paixão dos nossos amantes.

A Branca de Neve soltou da garganta o pedaço de maçã envenenado; eu, ao ser beijada pelo meu príncipe também fui resgatada ao sono profundo, eterno.

Ainda bem!

Éramos jovens, belas e essas qualidades são um sinal de perfeição.
Quem lhes resiste?
Enlouquecidos, os homens apaixonam-se por nós!

Os irmãos Grimm tiveram a gentileza e a mestria de nos relatar de tal forma que os seus leitores nunca chegassem a abandonar o fascínio da juventude, da perfeição dos corpos, afinal de contas, de uma certa ideia de felicidade.

Foi bom para nós, para todos!

Da dentada na maçã, de Adão, herdámos a sabedoria e o conhecimento. Para quê a fixação num paraíso se apenas nos faltava a doçura de uma vida privada!

Bela Adormecida

(Sem falsa modéstia,
o desenho dos sapatos de ballet naquela minha pose
permitiu-me vogar, exultando, com indescritível beleza...
Quase me senti uma Silfide!)

sábado, 31 de janeiro de 2009

AUTOMÓVEIS

1.

São seres monstruosos, meio homens e meio cavalos.
.
Piritoo convidou os Centauros para a sua boda de casamento.
Os Centauros não estavam habituados a beber vinho.
(Se beber, não conduza!»)
Num instante ficaram embriagados.
Um deles, Eurito, tentou violar Hipodamia, noiva de Piritoo, provocando uma rixa
generalizada e um grande massacre de ambas as partes.
(Fonte: «Dicionário da Mitologia Grega e Romana»)

2.

É com o aparecimento da roda que a velocidade se torna irresistível e inexoravelmente volúvel.

3.

Argumento de venda do LEXUS IS:
«Objecto de Desejo»

«Na praia de Sídon, um touro tentava imitar um gorjeio amoroso.
Era Zeus.
Sentiu um arrepio, como quando os moscardos o importunavam.
Mas dessa vez era um arrepio de ternura.
Eros colocava-lhe na sua garupa a jovem Europa.
Depois o touro branco atirou-se à água, e o seu corpo imponente assomava apenas o
suficiente para que a jovem não se molhasse.
(...)
Entretanto, Europa não via fim daquela louca viagem.
Imaginava, porém, o seu destino, quando voltasse a encontrar terra.
E gritou uma mensagem aos ventos e as águas:
«Dizei a meu pai que Europa deixou a sua terra na garupa de um touro, meu raptor, meu marinheiro, e, suponho, meu futuro companheiro.
Dai, peço-vos, a minha mãe este colar».
Estava também para evocar Bóreas, para que este a levasse nas suas asas, como fizera com a sua esposa, a ateniense Oritia. Arrependeu-se, porém:
para quê passar de um raptor para outro?»

(Fonte: «As Núpcias de Cadmo e Harmonia»; CALASSO, Roberto; Ed. COTOVIA)





4.

Quando a segurança, o conforto e a estética se associaram à velocidade é que a ideia de carro se tornou verdadeiramente irresistível.
Por essa razão, o Grand Tour -- Indissociável do comboio -- viu reforçado o culto das viagens.

5.

Argumento de venda do LANCIA DELTA:
«O Poder de Ser Diferente»

Confrontando o potencial comprador com a felicidade da criança e a generosidade do Richard Gere, logo no Tibete -- No tecto do Mundo -- na neve (Fruto da época) só não seremos mais felizes -- Uma vez tão próximos dos deuses -- se não comprarmos o carro. Esperar, porque?

Argumento de venda do AUDI Q5:
«Tecnologia Perfeitamente Sincronizada.»

Respostas perfeitas.
No caso particular do AUDI Q5 a construção do spot publicitário na TV exalta o Homo Faber que, formando equipa, constrói -- Qual lego! -- um carro perfeito, insinuando um irrepreensível desempenho e remetendo o desejo de aquisição para o Homo Ludicus.

A promoção do Honda Civic era baseada num coro que, inexcedível no rigor e perfeição do carro, mimava o seu desempenho.
Cada elemento do coro, só por si, vale o que vale. Pouco! Mas integrado num grupo -- eis a réplica do Lego, a consagração da equipa -- assegura uma solução perfeita.


Quando o casal saiu para a estrada para experimentar
topo de gama acabado de comprar
foi rapidamente confrontado com um ruído
mínimo,
intermitente,
quase imperceptível,
porém,
persistente.

Contactado,
o vendedor ofereceu imediatamente a sua disponibilidade.

Voltaram à estrada.

Para surpresa do casal,
o vendedor pediu para ser levado a uma ourivesaria.
Uma vez lá chegados,
pediu à senhora o favor de
retirar os brincos.
Era indispensável reparar os apoios.

6.

O hedonismo é uma doutrina filosófica que afirma ser o prazer individual e imediato o supremo bem da vida humana.
A teoria socrática do bom e do útil, da prudência, etc., quando entendida pela índole voluptuoso de Aristipo, leva ao hedonismo, onde toda a bem-aventurança humana se resolve no prazer.
A ideia básica que está por de trás do hedonismo é que todas as acções podem ser medidas em relação ao prazer e à dor que produzem
O hedonismo moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.
Segundo a lei do interesse pessoal de Stuart Mill, cada indivíduo «Procura o bem e a riqueza e evita o mal e a miséria.»




«Claro que me preocupo com o CO2.
Para falar verdade, o que realmente me atormenta é o aquecimento global.
Um Verão inclemente...
Quem me garante a imunidade do meu ninho a um incêndio?

Quem me tirar o meu
Trabant, tirar-me-á tudo!»

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

11

«Ando por aqui a ver se encontro
um homem. Não há nenhum, diz-me a Razão,
"o homem é apenas uma imagem."
Não é, dizem-me os sentidos,
depois de terem convivido com muitos homens
e mulheres. E volto atrás para ver melhor __
e mergulho inteiro nas águas turvas
da humanidade. A transparência
é uma ficção de poetas felizes
e são poucos. Cada homem que vou encontrando
cada pedra cada folha cada gota de água,
um milagre.»

In:

«A Arte de Bem Morrer»
Casimiro de Brito

Roma Editora

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

«O AMARELO DA CARRIS»

Quando a CARRIS renovou o amarelo da sua frota Lisboa ficou mais bonita, mais alegre.

Eu gostei.

Aproveitando a velocidade média dos transportes urbanos -- Cerca de 14 Km/H -- a publicidade passou a ser veiculada através da aplicação de uma película pontilhada na carcaça dos veículos para exibir as qualidades do produto em promoção.





Do exterior, essas imagens em movimento, diminuindo o pontilhismo de Roy Lichtenstein fariam lembrar os trabalhos de Paul Signac? A face de uma jovem de Roy -- Em movimento na animação da banda desenhada -- é menos volúvel que as ramagens da árvore de Paul ao vento.





Estarão os passageiros que viajam, para cá dessa capa pontilhista, forçados a resignar-se ao poema de Cesário Verde «Nas nossas ruas, ao anoitecer,/ Há tal soturnidade, há tal melancolia,/ Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia/ Despertam um desejo absurdo de sofrer.// (...)»



Fontes:


«POP ART»
Klaus Honnef; Ed. TACHEN
«POESIA COMPLETA» Cesário Verde; Ed. DOM QUIXOTE
Ilustração: Gentileza Google

sábado, 17 de janeiro de 2009

Letra: «I»




«ÍCARO»


Sabe-se que poderá ter sido um bando de aves que, ao atravessar-se na rota do A320 da US Airways, terá provocado o "estoiro dos motores" e a eminente tragédia.

Alguma vez virá a saber-se se terá sido Talo -- Sobrinho de Dédalo, o invejoso -- que ao ter sido empurrado para um precipício, os deuses, socorrendo-o, transformaram o jovem numa perdiz, que voou superando a sua morte inevitável?

Manhattan não é Creta e lá jamais foi referenciada a construção do labirinto -- Apesar do medo das réplicas do 11 de Setembro -- tal como é desconhecida a estadia de Dédalo.

Ao levantar voo de La Guardia NY, o comandante do A320 jamais poderá ser considerado um sósia de Ícaro, Suplantando-o, apesar de não ter ganho altura e autonomia para chegar ao aeroporto mais próximo, para aí resgatar os seus passageiros, conseguiu, amarando, salvá-los.


Retribuo «PREMIOS DARDOS»



Gentilmente,

Arabica
http://empequenasdoses.blogspot.com

galardoou A Gaiola

Muito obrigado!


Retribuo:






PRÉMIO

«GAIOLA DE DARWIN»

Para:

http://empequenasdoses.blogspot.com
http://papeldefantasia.blogspot.com
http://quartetodealexandria.blogspot.com
http:// pretexto-classico.blogspot.com
http://libertas-vitalis.blogspot.com
http://lobamoonnight.blogspot.com
http://pedemeia.blogspot.com

Beijos e abraços!